Minha canção não tem poesia
Tem o grito de um pensamento
Tem a vida de um momento
Meu pensamento não tem razão
Tem o conflito do sim e do não
Tem a lógica da paixão
Deixo o passado encostado num canto
Pego a vida e faço meu canto
E o meu canto é um blues!
SINTA UM BLUES
Feche os olhos e sinta um blues.
Toque a nota que me seduz.
Toque meus dedos, meu medos, meus segredos.
Corra todo o universo.
Grave bem, aqueles versos.
Os protestos, secretos e discretos.
Sinta agora o paraíso.
Seja todo o infinito.
Bendito, benvindo e bonito.
TUDO IMORAL ERA SUPER NATURAL
Quando eu era jovem, eu aprendi
Tudo aquilo que eu pude sentir
Todas as coisas que passavam por ali
Também que a verdade, podia mentir.
Toda religião, não me deu o perdão.
Todo o poder, não me deixou crescer.
Toda bondade era pura falsidade.
Tudo imoral era super natural.
Tudo social, não é digno de um animal.
Tudo que eu vejo é longe de um desejo.
Toda situação é pura confusão.
Tudo o que dizes é uma grande tolice.
A LENDA
Sigo um caminho que o vento se propôs a marcar.
Meus olhos são um livro, não leia e nem tente decifrar.
Meu peito traz uma coisa que não posso, não consigo te contar.
Nada feliz, ‘pra’ se rir, e nem triste para chorar.
Essa é a lenda que eu fiz ‘pra’ mim.
Essa é a lenda que eu fiz ‘pra’ mim.
Meu corpo se banha, se unge no suor de orvalho.
Meus pês deixam marcas que o tempo vem apagar.
Meu sangue corre quente, corre ardente, como fogo na montanha.
Minha vida se resume nessa lenda que eu te contei.
Essa é a lenda que eu fiz ‘pra’ mim.
Essa é a lenda que eu fiz ‘pra’ mim.
SOLIDÃO
Uma noite escura, numa cidade suja.
Nada diferente, aquela mesma gente.
Solidão sofrida, solidão sofrida, na cidade fria.
Rasgando madrugada, chutando uma velha lata.
Acendo um cigarro, tossindo meu pigarro.
Solidão acessa, solidão acessa, na cidade negra.
Paredes pichadas encontram as calçadas.
Portas trancadas, janelas apagadas.
Solidão marcada, solidão marcada, na cidade amarga.
Sirenes e buzinas cruzando as esquinas.
Longa avenida engarrafa nossas vidas.
Solidão guiada, solidão guiada, na cidade transviada.
MARCAS NO CORAÇÃO
A noite deixa marcas no coração.
Palavras vomitadas numa nova canção.
Rasgo a lua e bebo seu mel.
Sinto seu olhar gosto de fel.
O dia faz dos sonhos desilusões.
A vitória colhe frutos das loucas paixões.
A fúria do desejo explode em verbos.
Busco cada mol desse mistério.
Cravo meus dedos em velhos acordes.
Buscando em min os ventos do norte.
Jogo minha alma em mixomelodias.
Grito as fermatas dessa magia.
A VERDADE
Ando na rua, sem direção, não me importa se é contramão.
Nada eterno, nada é razão, tudo mutação.
Leio um livro, excitação, reflexão e ilusão.
Tantas palavras, tantas idéias, tanta razão.
Caço verdades, explicações, ideologias, as teorias.
Quero alguém, quero a min mesmo, quero um deus.
A verdade, é que a verdade, não é de verdade.
A verdade.…
BRASIL
Droga e vagabunda ‘pro’ turista.
Rica colônia, sem vergonha.
Mordomia ‘pra’ Brasília.
Brasil ! Uma esperta nação.
Brasil ! Uma rica nação.
Brasil ! Uma grande nação.
Salário miséria e favelas.
Escândalos, mamatas e corrupção.
Pêlegos em forma de religião.
Brasil ! Uma esperta nação.
Brasil ! Uma rica nação.
Brasil ! Uma grande nação.
‘Pro’ povo, a lei tem que pegar.
A força reprime o cidadão.
Longa fila ‘pro’ ancião.
Brasil ! Uma esperta nação.
Brasil ! Uma rica nação.
Brasil ! Uma grande nação.
Pacotes embrulham a população.
Grandes mentiras em divulgação.
Desvios de verbas, servidores fantasma.
Brasil ! Uma esperta nação.
Brasil ! Uma rica nação.
Brasil ! Uma grande nação.
AGORA RESTA CHORAR
Os dias passam e eu vou vivendo assim.
Não importa, você ‘tá’ longe de min.
Cai a chuva, brilha o sol, nada é ruim.
Ser maluco, eu ‘te’ digo que sou sim.
Agora resta chorar.
Agora resta esquecer de min.
A alma canta, o corpo vive, a palavra é dita.
Eu sei que você não mais acredita.
Mas sua certeza só ‘te’ traz feridas.
Não vou mais falar, você que reflita.